Acordei cedo e saí por volta das 7h30, após um café da manhã tradicional japonês. O dia estava muito nublado e prometia chuva ao longo do caminho. Os primeiros 30 km foram muito tranquilos, com uma descida suave ao longo do rio Kumano até Shingu. O rio, que nesta época do ano está com o nível muito baixo, percorre um vale com pequenas áreas planas cultivadas às suas margens.
A primeira parada foi no Kumano Hayatama Taisha, um santuário xintoísta localizado em Shingu, às margens do rio Kumano. Apesar da chuva, muitos turistas visitavam o templo.
Os atuais edifícios do santuário foram reconstruídos no início do século XIX (1803); entretanto, o Hayatama Taisha ocupa o mesmo local às margens do rio Kumano desde pelo menos o século XII. Artefatos religiosos presentes no local datam do século III e comprovam que a área é um espaço de culto há muito mais tempo. Uma árvore com idade estimada em mais de 800 anos está localizada dentro do complexo e é considerada sagrada.
Saindo dali, segui em direção a Nachikatsuura, de onde parte a estrada de acesso ao último dos três santuários mais importantes de Kumano, o Nachi Taisha, que, junto com o Hongu Taisha e o Hayatama Taisha, são reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.
Antes de iniciar a subida pela estrada 43 para alcançar o último templo, passei pelo Fudarakusan-ji, ponto de partida dos monges budistas que navegavam pelo Mar do Sul em busca do Paraíso da Terra Pura do Sul de Kannon, chamado Fudarakusan. A principal divindade venerada ali é Senju Kannon (o Bodhisattva das Mil Mãos), que se acredita salvar as pessoas do sofrimento.
A parte inicial do trajeto até o templo Nachi Taisha é muito tranquila e passa por pequenos vilarejos à beira da estrada, com casas e jardins muito bem cuidados. Este santuário xintoísta fica a aproximadamente 350 metros acima do nível do mar, e a subida final para alcançá-lo pode ser feita por uma longa escadaria ou por uma estrada sinuosa, mas muito bonita, com paredes cobertas por musgo.
No caminho, passa-se ao lado da cachoeira Nachi, com seus 133 metros de altura, objeto de veneração no santuário Hiryū, próximo ao Nachi Taisha. O templo é belíssimo e, em seu pátio, há uma árvore sagrada: uma canforeira de cerca de 850 anos, plantada por Taira no Shigemori (1138–1179), um nobre japonês do clã Taira que viveu no período Heian.
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