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O último dia prometia ser bem tranquilo, pois mais da metade do trajeto seria praticamente plano após uma longa descida até Ispica. Saí por volta das 7h30 com o sol subindo no horizonte.

A primeira parte da descida, até Modica, foi muito agradável, uma pequena cidade dividida em duas partes, Modica Alta e Modica Baixa. A parte mais antiga, situada na parte alta, está situada sobre o topo rochoso das colinas Ibleias meridionais, enquanto a parte inferior foi construída nas encostas mais baixas e no vale logo abaixo. Apesar de ter sido devastada por terremotos em 1613 e 1693, e por inundações, Modica preservou parte de sua arquitetura, reconhecida como patrimônio pela UNESCO. Grande parte da cidade foi reconstruída após o terremoto de 1693, com monumentos característicos do estilo barroco siciliano. Após descer até o vale (Modica Baixa), é necessário subir para sair da cidade, atravessando um de seus bairros modernos, Sacro Cuore.

Daí em diante, segue-se um ótimo trecho de descida suave até Ispica, onde encontramos mais exemplos do barroco siciliano, como, por exemplo, a Basilica di Santa Maria Maggiore.

Pedalando mais uns 22 km, relativamente tranquilos, chegamos a Noto, conhecida como a capital do barroco siciliano e declarada Patrimônio Mundial da UNESCO. Reconstruída em estilo barroco após o terremoto de 1693, a cidade possui lindas construções em pedra calcária dourada que brilham sob o sol, como, por exemplo, a Igreja de San Domenico e a Catedral di San Nicoló.

Seguindo em direção a Siracusa, a estrada segue praticamente plana. Depois de mais uns 20 km cheguei a Cassibile, que marcou o seu lugar na história moderna, pois foi ali que, em setembro de 1943, foi assinado o Armistício de Cassibile entre o Reino da Itália e as Forças Aliadas. O tratado marcou a rendição oficial da Itália fascista.

Após mais aproximadamente outros 20 km cheguei a Siracusa e Ortigia, belas cidades à beira-mar com importantes monumentos, tais como as ruínas do Templo de Apolo e a Fontana di Diana, além do Teatro Grego e do Anfiteatro Romano, no Parque Archeologico Neapolis.

O trecho final de Siracusa a Catania é de mais 60 km, praticamente planos, exceto na passagem por Augusta, mas que proporciona uma maravilhosa visão do Etna.

Cheguei a Catania às 18h20, onde finalizei a viagem após 5 dias e aproximadamente 756 km.

Diferentemente das demais viagens que tenho feito, desta vez optei por utilizar uma bicicleta assistida, uma Giant Roam E+ com uma bateria de 500 Wh, alugada na Etna Bike Tours. Como me foi dito no momento da locação, ela não é capaz de cobrir as distâncias que percorri, muito menos a altimetria. Desta forma, a maior parte do trajeto foi feita com o motor desligado para que eu pudesse utilizá-lo em subidas mais íngremes, e funcionou relativamente bem. Algumas vezes a bateria acabou antes do final.